Cartagena Colômbia
O grande desafio para Cartagena, na costa norte da
Colômbia, não é apenas convencer o mundo de que tem um céu de
brigadeiro todos os meses do ano, as melhores - e mais limpas - praias do
Mar do Caribe e uma cidade que respira cultura e vive tradição. A cidade
quer convencer o turista estrangeiro de que não faz parte da Colômbia e
dissociar sua imagem do narcotráfico - protegido pelas temidas Forças
Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que trava uma guerra civil
há quase três décadas. A uma hora de vôo da capital, Bogotá,
Cartagena, como dizem os guias locais, não pertence à Colômbia dos
noticiários. São 468 anos de história, cujas marcas estão fortemente
cravadas em castelos, igrejas, ruas, fortalezas, esculturas, imagens e
hotéis da cidade, que tem a índia Catalina como heroína e símbolo
maior.
Nos últimos dez anos, o turismo da cidade caminha para
o norte. Cartagena é dividida pela parte antiga - com ruas pequenas,
chão de pedra e casas coloniais. Na parte moderna, a cidade reserva para
o turismo uma seleção de bons restaurantes, danceterias, bares e casas
republicanas. Nesta região, o metro quadrado chega a custar até US$ 3
mil. Em 1985, a Unesco declarou Cartagena Patrimônio da Humanidade. Foi
lá que o prêmio Nobel de Literatura de 1982, o escritor Gabriel García
Márquez, o Gabo, ambientou dois de seus romances - O Amor nos Tempos do
Cólera e Do Amor e Outros Demônios. O escritor mora atualmente nos
Estados Unidos, onde trata de um câncer, mas mantém uma casa na parte
antiga de Cartagena, que é visitada diariamente por turistas. Cercada por
um muro laranja com 3 metros de altura, a casa, em estilo colonial, vive
constantemente fechada, mas pode ser vista por inteira do luxuoso Hotel
Santa Clara.
Guerra - Kalamarí era um povoado indígena que
dominava as praias, ilhas e canais até o ano de 1533, quando o espanhol
Pedro Heredia fundou a cidade, depois de uma conquista relativamente
pacífica. Cartagena era o ponto estratégico por onde passavam ouro,
prata e pedras preciosas cobiçadas pelos espanhóis, que as extraíam da
América do Sul. A cidade é habitada por 1 milhão de pessoas, sendo 85%
católicas. O nome da cidade foi dado por marinheiros espanhóis, que
viram naquela terra uma semelhança ímpar com a colônia fenícia de
Cartago. Como colônia espanhola, a cidade foi invadida várias vezes
pelos lendários piratas do Caribe e por ingleses e franceses. Entre os
séculos 16 e 18, sofreu mais de 20 ataques. O corsário inglês Francis
Drake invadiu Cartagena em 1586, pela Baía de Bocagrande, com uma
esquadra de 23 navios e 3 mil homens.
Queimou 200 casas, destruiu uma torre da catedral em
construção, roubou jóias, ouro, prata e 80 peças de
artilharia.Indignado com a invasão, o rei da Espanha, Felipe II, ordenou
a construção de um sistema de defesa, com fortes e castelos. Assim,
deu-se início à maior obra da arquitetura militar da América colonial.
Em 1654, começou a construção da fortaleza da cidade, que foi
concluída apenas em 1769. Após o término da obra, Cartagena nunca mais
foi atacada por mar ou terra firme e a independência da cidade foi
declarada em 1811.